sábado, 8 de fevereiro de 2014

Tireoide: hormônios essenciais para a vida

Sonolência ou perda de sono. Cansaço ou agitação. Intestino preso ou solto. Se o paciente chega ao consultório com alguma dessas queixas, o médico certamente desconfiará que o problema esteja na tireoide. Pudera, nessa glândula são produzidos dois hormônios essenciais – o T3 e o T4 – para que todas as células do organismo funcionem de forma equilibrada.
Tireoide: hormônios essenciais para a vida “Sem os hormônios produzidos pela tireoide não é possível viver”, enfatiza o dr. Ricardo Botticini Peres, endocrinologista do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). E o médico vai além: “Se os hormônios são produzidos em excesso ou escassez, o organismo todo fica desequilibrado, o que resulta em vários problemas para a saúde”.
O T3 e o T4 são essenciais porque interferem em vários controles do organismo, como os batimentos cardíacos, a temperatura, o metabolismo (conjunto de mecanismos químicos necessários ao organismo) que pode ficar mais rápido ou lento, e os movimentos intestinais. Por isso, quando estão em falta ou em excesso, o corpo todo sente.

Equilíbrio é o segredo

Um dos problemas mais comuns na tireoide, que atinge 20% das mulheres no mundo, é o hipotireoidismo, também chamado de tireoide preguiçosa. Nesse caso, o T3 e o T4 são produzidos em menor quantidade do que o corpo necessita, ou então nem são produzidos. “Isso faz com que o organismo trabalhe mais lentamente”, explica o dr. Peres. Entre os principais sintomas estão: cansaço, desânimo, alteração do padrão de sono, pele seca, aumento de peso, inchaço, aumento da pressão arterial, retenção de líquidos, alterações na menstruação, sonolência e intestino preso.
Quando a tireoide está superativa, chamada de hipertireoidismo, ocorre excesso na produção de hormônios, provocando aceleração das funções do organismo. Os batimentos cardíacos ficam mais rápidos, resultando em taquicardia. A pessoa fica agitada e nervosa, perde o sono e tem diarreia.
Embora as mulheres tenham mais problemas com a tireoide – e mais intensamente durante a menopausa – os homens não estão livres do desequilíbrio hormonal: a proporção é de seis mulheres para um homem. Crianças e adolescentes também podem sofrer de hipo ou hipertireoidismo. As causas, segundo o dr. Peres, são genéticas.
Além do excesso e da falta de hormônios, há também os nódulos que, em até 95% dos casos, são benignos. Sua formação está relacionada à anatomia da glândula, que é rugosa e coberta por folículos onde são estocados os hormônios. Os folículos podem crescer de forma desordenada e tornarem-se nódulos ou cistos, que comprometem ou não o funcionamento da tireoide. “É muito comum haver o nódulo e a glândula funcionar normalmente. Apenas 5% dos casos resultam em problemas mais sérios, como o câncer”, explica o dr. Peres.

Tireoide em dia

A melhor forma de saber se a glândula está funcionando bem é realizar exame de sangue para a dosagem de TSH (do inglês Thyroid Stimulating Hormone), o hormônio da hipófise que controla várias glândulas como os ovários, as suprarrenais e a tireoide. O TSH estimula a glândula a produzir o T3 e o T4, que, em quantidade suficiente, inibem a produção do TSH pela hipófise. Portanto, se a taxa de TSH estiver baixa, os hormônios da tireoide estão em excesso e se o nível estiver acima do esperado, haverá pouco hormônio.
Os exames de palpação da glândula, realizados nas consultas de rotina, assim como a ultrassonografia, também podem denunciar nódulos. “Normalmente o médico pede um checkup por outra razão e descobre um nódulo. É pouco comum fazer os exames sem ter nada na tireoide”, alerta o médico.
Como não é possível prevenir os problemas na glândula, a receita do endocrinologista é a de que se mantenha uma dieta equilibrada e a prática de atividades físicas regularmente, atitudes que garantem uma vida mais saudável.
Relacionar problemas tiroidianos com ganho de peso é mito, segundo o dr. Peres. “Com os hormônios da tireoide desequilibrados é possível ganhar um pouco de peso e reter líquido, mas não a ponto de colocar a culpa dos quilos a mais nela”, salienta o médico.
www.einstein.br

Câncer de cólon e de reto: detecção e tratamento

A máxima "prevenir é melhor do que remediar" vale também quando o assunto é saúde. E mesmo em casos de doenças como o câncer, a melhor saída ainda é cuidar da saúde. Isso significa ir periodicamente às consultas médicas e fazer exames de rotina.
Câncer de cólon e de reto: detecção e tratamentoNo caso do câncer de cólon e de reto, o tumor pode levar até 15 anos para se desenvolver e se manifestar e, se a doença for diagnosticada precocemente, o índice de sucesso no tratamento é muito alto.
Infelizmente, por falta de acesso às campanhas de prevenção ou constrangimento na hora de fazer os exames, o número de pessoas com o diagnóstico da doença em fase avançada tem apresentado crescimento. Uma estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) aponta que são esperados para o ano de 2008 cerca de 30 mil novos casos de câncer de cólon e de reto.
Esse tipo de tumor é de fácil diagnóstico. O primeiro sinal é o pólipo, que tem aparência de uma pequena verruga na parede do intestino e é uma lesão facilmente tratada. Mas, com o tempo, transforma-se em um câncer invasivo
"Esse tipo de tumor é de fácil diagnóstico. O primeiro sinal é o pólipo, que tem aparência de uma pequena verruga na parede do intestino e é uma lesão facilmente tratada. Mas, com o tempo, transforma-se em um câncer invasivo", alerta o dr. Carlos Dzik, oncologista.

De olho na saúde

A preocupação em desmistificar o desconforto e ressaltar a importância dos exames preventivos resultou na campanha Don’t blush, look before you flush no Reino Unido. Em outras palavras, o simples fato de olhar as fezes antes de dar a descarga e perceber se há sangue pode denunciar que algo está errado. A precisão do diagnóstico é encontrada em exames como a colonoscopia que, embora seja utilizada para detectar um possível problema no cólon, também pode verificar o reto, localizado no fim do intestino grosso. O exame, além de localizar o pólipo ou tumor, pode retirá-lo, no mesmo momento, para biópsia.
O paciente também pode se valer de um exame alternativo, que é a pesquisa de sangue oculto nas fezes. Ele deve adotar uma dieta específica e evitar ingerir alguns alimentos, como a carne ou os que contenham vitamina C, pois podem interferir nos resultados, se forem consumidos entre três e cinco dias antes da coleta. São colhidas três amostras que serão submetidas à análise laboratorial.
Um resultado mais abrangente requer ainda outro exame junto com a análise das fezes. Deve ser feita a retossigmoidoscopia, que visualiza o fim do intestino grosso, o reto e o ânus. Esse exame é capaz de identificar hemorroidas, doenças inflamatórias crônicas e eventualmente algum pólipo ou tumor.
O câncer de reto pode ser percebido mais facilmente com o exame de toque, mas há também os exames radiológicos com contraste, como o bário – em que é possível levantar suspeitas acerca do tumor. Ainda assim, seria necessário submeter-se à colonoscopia, devido à sua exatidão.
O indicado é que a pessoa, a partir dos 50 anos, se submeta aos exames de rotina. Se não houver nada de suspeito, o paciente passa por novos exames, apenas depois de dez anos. Caso tenha histórico familiar da doença, o ideal é fazer as contas a partir da idade do parente. Por exemplo, caso ele tenha apresentado o câncer aos 40 anos, é necessário submeter-se ao exame com 35 anos. Ou seja: conte sempre cinco anos a menos. Além disso, o paciente que tem familiares com câncer de cólon ou de reto deve repetir o exame a cada três ou cinco anos, mesmo que os anteriores não tenham detectado nada de errado.

Primeiros sinais

Quem apresenta tumores de reto manifesta, em geral, sangramento intestinal. Com o tumor no reto, há mudanças no organismo. Por exemplo, o intestino fica mais lento, constipado e depois de alguns dias nota-se diarreia. Também há o aparecimento de cólicas. Essas alterações podem ser sinais de alerta – não que seja necessariamente câncer, mas há algo errado: doenças comuns como síndrome do cólon irritável.
O paciente com câncer no reto também recebe quimioterapia complementar se houver risco de o tumor voltar. Além disso, também passa por sessões de radioterapia. A complexidade da cirurgia varia de acordo com a localização do tumor. A colostomia – porção do intestino exteriorizada na parede do abdome, por onde são escoados fezes e gases para uma bolsa coletora – pode ser provisória, caso seja possível preservar ou restaurar o esfíncter anal (músculo que controla a abertura e o fechamento do ânus), ou então permanente, dependendo da gravidade. "Depois que o paciente passa pelo desconforto do tratamento, consegue ter uma vida com qualidade", conclui o dr. Dzik.
Se toda a população do mundo comesse em grande quantidade hortaliças, frutas e vegetais frescos teríamos 30% menos tumores. No caso dos cânceres de intestino, reduzir o consumo de gordura animal também é um fator preventivo
Mais que a realização dos exames, as pessoas podem adotar hábitos saudáveis e ganhar mais um aliado na hora de evitar o câncer. "Se toda a população do mundo comesse em grande quantidade hortaliças, frutas e vegetais frescos teríamos 30% menos tumores. No caso dos cânceres de intestino, reduzir o consumo de gordura animal também é um fator preventivo", explica o oncologista.
No caso do câncer de cólon, o diagnóstico precoce está diretamente ligado à cura. Esse tumor é uma pequena úlcera em determinada parte do intestino. Durante a cirurgia, o especialista, além de retirar o tumor, secciona também os linfonodos – uma espécie de íngua –, que drenam tudo o que circula no intestino e, portanto, podem drenar as células cancerígenas. Caso os gânglios contenham células cancerígenas, também é recomendada quimioterapia complementar por cerca de seis meses, na tentativa de reduzir as chances da disseminação da doença.

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Hipocondria pode começar em casa

Você conhece alguém que sabe tudo a respeito de doenças e medicamentos, que está sempre atualizada sobre novos exames e se sente preparada para distribuir diagnósticos para qualquer um que tiver uma reclamação de saúde? Depois de ler esta matéria, repare novamente neste comportamento: pode se tratar de um caso de hipocondria.
Hipocondria pode começar em casa
Diferente do que a maioria acredita o hipocondríaco não é exatamente aquele indivíduo que toma remédio para tudo e a toda hora, mas sim o que pensa frequentemente possuir algum quadro orgânico grave.
Enquanto as pessoas comuns não ligam muito para pequenas dores, desconfortos ou marquinhas na pele, as pessoas que sofrem deste mal interpretam esses fenômenos habituais de maneira particular, geralmente exagerada.
De acordo com o psiquiatra e coordenador do Programa de Atendimento a Estudos de Somatização da Unifesp, Dr. José Atílio Bombana, essas pessoas passam boa parte do tempo coçando, apalpando, analisando ou dando atenção específica ao corpo. "Eles têm um interesse exagerado pelo próprio corpo, funcionando de forma até autoerótica e autoagressiva. Sofrem com o medo de ser portadores de alguma doença importante, que está ligada a algo sério", explica.

A hipocondria

A hipocondria é um dos diagnósticos de um grupo de doenças chamado Transtornos Somatóformes de indivíduos que relatam ter sintomas que não são explicados pelas investigações médicas. "Pacientes com este tipo de transtorno tendem a ter dores e sensações que, ao serem investigadas, não apresentam alterações significantes".
Os sintomas da hipocondria também se apresentam em transtornos não somatóformes, como a depressão. "A diferença é que, nestes casos, quando melhoram do quadro depressivo, deixam de acreditar que possuíam alguma outra doença", afirma.
Enquanto a somatização acontece mais com mulheres, a hipocondria acontece também entre os homens. E tende a ser crônica, com agravamento em períodos de estresse e de muita tensão.
Ainda são investigadas as causas da doença, mas um fator que colabora para o seu surgimento são as famílias que valorizam demasiadamente o corpo, impondo dietas ou treinamentos pesados. Pessoas que convivem com pais com doenças graves como diabetes ou hipertensão também têm um fator predisponente.

Consumo de medicamentos

Consumo de medicamentosConforme descrito acima, a característica principal do hipocondríaco não é a de tomar medicamentos o tempo todo. Em alguns casos, são tão preocupados com a possibilidade de portarem alguma doença que deixam até mesmo de tomar alguns medicamentos prescritos pelo médico. Chegam a acreditar que a medicação pode piorar o seu quadro de saúde ou presentear-lhes com efeitos colaterais indesejados.
"Eles estão frequentemente pesquisando na internet, sabem das novidades em termos de exames e desconfiam até mesmo dos médicos, porque se sentem bastante instruídos a respeito de doenças", afirma o psiquiatra.

Relação médico x paciente

A relação entre um médico e um paciente hipocondríaco pode ser bastante difícil. "Eles tendem a procurar os médicos e a repetirem as mesmas reclamações no consultório. São detalhistas, sofredores e repetitivos. Não se convencem do que o médico fala. É preciso repetir, esmiuçar cada assunto e isso pode gerar uma relação problemática entre o profissional e o paciente".
"São pacientes muito angustiados e apenas buscam alívio nas palavras dos médicos, não é proposital. Estão geralmente à procura de outros profissionais pela dificuldade em acreditar em quem já os atende", afirma Bombana.

Doenças mais comuns

As preocupações mais comuns entre os hipocondríacos são geralmente relacionadas a uma ou duas doenças principais. Problemas no sistema digestivo ou no intestino são reclamações bastante frequentes, por isso muitos iniciam dietas desnecessárias, sempre acreditando que não podem ingerir esse ou aquele alimento. Doenças do coração também são queixas comuns.
Ao deixarem o consultório sem um diagnóstico positivo, tendem a voltar para casa frustrados, com a certeza de que não foram bem investigados.

Riscos

Além da automedicação – que é sempre um perigo para qualquer indivíduo – um dos grandes riscos para pacientes hipocondríacos é se submeter desnecessariamente a procedimentos delicados.
Quando a relação com o médico entra em uma fase de desconforto, com o paciente sempre duvidando de sua palavra, não raro os profissionais vão ficando cada vez mais inseguros em não encontrar o que ele relata e acabam solicitando exames cada vez mais invasivos e até mesmo cirurgias sem necessidade.
"Outro risco bastante nocivo ao paciente é viver em função da doença, deixando de fazer as atividades do dia a dia normalmente, como ter prazer ao lado da família e de amigos, trabalhar ou viajar", afirma o psiquiatra.

Tratamento

Não existe medicação específica para o tratamento de hipocondria. Geralmente, são prescritos antidepressivos, que não curam, mas diminuem os sintomas, e ansiolíticos para reduzir a ansiedade. Para os casos mais graves, a alternativa principal é a psicoterapia.

Como ajudar?

Hipocondríacos se sentem melhor só de serem ouvidos. Para quem convive com um, a indicação é ter paciência para ouvir as reclamações, sem se deixar levar. Não é preciso ir ao médico a toda hora!
"Só de serem ouvidos, já se sentem muito melhor. E para quadros mais importantes, indicamos que ajudem o indivíduo a procurar terapia profissional", conclui o psiquiatra da Unifesp.
O que é hipocondria?
A hipocondria é um estado psíquico crônico em que a pessoa crê, sem fundamentos, ter uma doença grave, sente um razoável medo da morte, é acometida por uma verdadeira obsessão com sintomas ou defeitos físicos irrelevantes, mantém uma auto-observação constante do corpo e mostra descrença nos diagnósticos médicos. Trata-se de uma patologia séria que prejudica muito a vida dos pacientes.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

PRINCIPAIS CONCEITOS DA PSICOTERAPIA JUNGUIANA

INDIVIDUAÇÃO

Um dmandalaos principais conceitos de Jung é o da individuação, termo usado para um processo de desenvolvimento pessoal ou integração da personalidade, que envolve o estabelecimento de uma conexão entre o ego , centro da consciência, e o Self, centro da psique total, o qual, por sua vez, inclui tanto a consciência como o inconsciente.
"Individuação, no entanto, significa, precisamente, a melhor e mais completa realização das qualidades coletivas do ser humano."  (Jung, C.G.)

SELF

Jung chamou o Self de arquétipo central, arquétipo da ordem e totalidade da personalidade. O Self é com freqüência simbolizado em sonhos ou imagens artísticas em formas impessoais como um círculo, mandala, cristal ou em formas pessoais como um casal real, uma criança divina, ou uma outra forma de divindade.
"O Self não é apenas o centro, mas também toda a circunferência que abarca tanto o consciente quanto o inconsciente; é o centro desta totalidade..."  (Jung,C.G.)

TIPOLOGIA

Jung identificou quatro funções psicológicas fundamentais, Pensamento, Sentimento, Sensação , Intuição, cada qual pode ser experienciada, tanto de uma maneira introvertida quanto extrovertida e estão presentes em todas as pessoas, mas em proporções e combinações diferentes.
  • O tipo Pensamento está relacionado com julgamentos derivados de critérios impessoais, lógicos e objetivos.
  • O tipo sentimento está orientado para o aspecto emocional da experiência, o seu julgamento é baseado no valor afetivo dos elementos.
  • O tipo sensação tende a responder à situação imediata e lidar efetiva e eficientemente com todos os tipos de crises e emergências.
  • O tipo intuição considera as implicações da experiência mais importantes do que a experiência real por si mesma, processando informações muito depressa além da lógica.

INCONSCIENTE COLETIVO E OS ARQUÉTIPOS

Para Jung o inconsciente coletivo é mais parecido com uma atmosfera na qual vivemos do que algo que se encontra dentro de nós.
Nele encontram-se "estruturas" psíquicas chamadas de Arquétipos, que são formas ou imagens primordiais que organizam os conteúdos psicológicos, eles freqüentemente correspondem a temas mitológicos que aparecem em culturas diversas.
Jung escreve que nós nascemos com uma herança psicológica, que se soma à herança biológica. Ambas são determinantes essenciais do comportamento.
"Nossa mente inconsciente, assim como nosso corpo, é um depositário de relíquias do passado."  (Jung, C.G.)

SÍMBOLOS

De acordo com Jung, o inconsciente coletivo se expressa através de símbolos. Os símbolos podem ser encontrados em sonhos ou fantasias de um indivíduo, como também em símbolos coletivos importantes, que são geralmente imagens religiosas, tais como a cruz, a estrela de seis pontas e a roda da vida budista.
"Assim como uma planta produz flores, assim a psique cria os seus símbolos."  (Jung, C.G.)


CARL GUSTAV JUNG

Carl Gustav Jung nasceu na Suíça em 1875 e morreu em 1961, com 86 anos, após uma vida de prática clínica, pesquisas e escritos.
As teorias de Freud, S. (fundador da Psicanálise) constituíram fortes influências em seu pensamento, sendo que suas primeiras concepções sobre o inconsciente são semelhantes à teoria psicanalítica. No entanto, Jung formulou posteriormente o conceito de inconsciente coletivo, o qual é caracterizado por conteúdos universais que estão além da experiência pessoal. Este conceito constitui, talvez, a sua maior divergência com relação a Freud e ao mesmo tempo sua maior contribuição à psicologia.
Jung era muito culto em filosofia e literatura; sua análise sobre a natureza humana incluiu investigações acerca de religiões orientais, tradições ocidentais como a Alquimia e mitologias de diversos povos.
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"Minha vida é a história de um inconsciente que se realizou."   (Jung,C.G.)

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Auto Boicote


Veja estes exemplos de auto boicote:
-Homem abandona família, mas foi exatamente isso que ele prometeu não fazer, porque seu pai havia feito à mesma coisa - e ele sabia o quanto isso repercute negativamente na vida de um filho, mas ainda assim repetiu o mesmo comportamento que tanto odiou.
-Mulher troca de namorado... troca de namorado... , mas  a cada troca arruma outro igualzinho ao anterior, com os mesmos defeitos.
-Homem trabalha junto a um chefe difícil de agradar... esse chefe é igualzinho ao seu pai. Coincidência?
Coincidência ou auto sabotagem? São comportamentos repetitivos. Tendência a repetir atitudes destrutivas.

Comportamento repetitivo
Você escova os dentes todos os dias, certo? Se eu lhe perguntar se escovou hoje talvez tenha que pensar se escovou mesmo. Lembra se fechou a porta hoje? Porque não lembra? Porque esse é um comportamento repetitivo e automático. Os comportamentos automáticos não são realizados com total consciência.
Esquecer-se de escovar os dentes é um comportamento inofensivo, não haverá danos maiores, mas há comportamentos repetitivos que nos destroem e não percebemos. Como no exemplo da mulher que só arruma namorado que a trai. Será que 100% dos homens traem, ou 100% dos homens que ela escolhe traem? Mas, porque ela faz isso? Ela QUER ser traída? Claro que não, pois sofre com isso. Então porque ela faz isso? Resposta. Auto sabotagem.





Como nos auto sabotamos?
Nós nos automatizamos. Quando trocamos a marcha do carro não pensamos: “Agora está na hora de pisar na embreagem e trocar de segunda para terceira” Simplesmente trocamos, por quê? Porque aprendemos a automatizar comportamentos, precisamos disso. O problema é quando automatizamos comportamentos que nos destroem.
O problema é quando, por exemplo, explodimos e depois vemos que estamos acabando com nossos relacionamentos por explodir tanto. “Mas eu não consigo parar de explodir. Porque faço isso?” Porque você se auto boicota. Você se auto sabota. Destrói a própria vida e não percebe a sua responsabilidade nisso tudo.
Algumas repetições destroem a vida da pessoa. Algumas deixam a pessoa muito frustrada consigo mesma.
Outro exemplo: Você já comeu um ovo de páscoa inteiro, nem está mais gostando de comer tanto chocolate, mas continua até se empanturrar e se arrepender de ter comido tanto? Isso é auto sabotagem.
Veja o exemplo do homem que trai sua esposa com pessoas que nem são tão importantes assim, mas ele continua nesses relacionamentos sabendo do risco de acabar seu casamento, e acabar por nada, por alguém que não significa muito. Porque ele continua nesse ciclo vicioso? Porque ele faz coisas que destroem a própria vida? A resposta é: Auto sabotagem.
Porque a mulher que tinha um namorado agressivo, troca de namorado e arruma outro também agressivo? Seu pai era agressivo. Será coincidência?
Muitas vezes repetimos eternamente padrões da infância, mesmo que esses padrões estejam prejudicando nossa vida. Repetimos o que já conhecemos por dificuldade em lidar com novidades, mesmo que este velho conhecido seja muito destrutivo.
Como mudar?
Encarar o ciclo da repetição é o primeiro passo para superação.
Percebe que você está trocando de mulher, mas toda vez está com o mesmo tipo de mulher.
Percebe que troca de namorado, mas está sempre com o mesmo tipo de pessoa sem atitude.
É o comerciante que está sempre arriscando um novo negócio, que nunca dá certo, mas quando vai ver lá está ele de novo fazendo a mesma coisa.
Sabe aquele amigo que vive te pedindo dinheiro emprestado e nunca devolve, mas você continua emprestando? Porque você faz isso? Por pura auto sabotagem.
Sabe aqueles finais de semana inteiros que você passa no sofá e, no domingo à noite se arrepende por não ter feito nada que preste. Promete que no próximo fim de semana vai ser diferente, mas no próximo faz tudo igual. Por quê? Auto sabotagem!
São vidas infernizadas pela compulsão da repetição. Uma necessidade inconsciente de repetir um comportamento mesmo que destrua a felicidade ou a vida de alguém ou a sua própria.
Observe a pessoa que não consegue administrar seu tempo, que sabe fazer as coisas, mas simplesmente não consegue colocar a vida em ordem, você verá que esta pessoa teve um pai que cobrava exageradamente, que  queria que ela fosse a mais competente do mundo. O que faz com que esta pessoa seja tão desorganizada hoje é a briga que continua mantendo com o pai, que talvez esteja até morto hoje. Quem influencia não é o pai, mas a figura internalizada do pai.
É possível que uma hora a pessoa consiga se der conta disso e reconheça esse ciclo de repetições? É possível romper esse ciclo? A resposta é SIM, mas concordo que não é fácil. Pois se a pessoa passou uma vida construindo uma percepção equivocada  terá  medo de mudar, de contestar o que sempre foi uma lei.
Um exemplo é uma paciente que ficou totalmente desestruturada depois que assistiu na TV a reportagem sobre a queda de um avião. Ela não costuma viajar de avião, não conhecia ninguém daquele avião, e nem as pessoas de seu convívio costumam viajar de avião. Mas porque então ela ficou tão chocada, abalada, sem sequer conseguir sair de casa direito depois daquela noticia? O entendimento disso veio quando na terapia ela percebeu que esse mesmo sentimento de terror apareceu quando foi abusada sexualmente na infância. Era o mesmo desespero, o mesmo desamparo. Não era à toa que a queda do avião tinha mexido tanto com ela. É o mesmo ciclo de repetição que agora funciona como auto sabotagem.
As pessoas enterram as situações traumáticas de suas vidas, mas não significa que elas estejam mortas. Elas continuam como se fosse uma marca indelével. Essa moça já foi uma criança indefesa e frágil, mas agora adulta continua emocionalmente frágil, carregando dentro de si essa menina assustada. Ela não sabia por que, não sabia explicar. As crianças não conseguem controlar suas vidas, e ela se sente ainda hoje como se ainda não pudesse controlar sua vida.
É por isso que é muito difícil identificar o conteúdo interno, porque a pessoa passa anos tentando oculta-lo, não só dos outros, mas tentando ocultar de si mesma. Se estava escondido é por uma boa razão, por isso é preciso muita responsabilidade do psicólogo que vai desenterrar tudo isso. Avalie bem o psicólogo para quem você está entregando a sua cabeça, com que você vai fazer terapia e que tipo de terapia vai fazer.
Identificar quais são os entraves de sua mente é só uma parte do processo que por si só não muda muito em você, mas é o começo. A parte mais importante e que vai realizar mudanças em seu comportamento é o desenvolvimento de uma nova forma de ver o mundo, falo das mudanças nos padrões de comportamento. O psicólogo é a pessoa para tornar esse processo possível. Para lhe ensinar estratégias que promoverão as mudanças em todo sistema de auto boicote que você quer em sua vida.
Antigamente o psicólogo era daquele tipo que aparece nos filmes mal feitos e novelas da TV. Ficavam calados só te ouvindo sem dividir seus pensamentos e conclusões. Hoje existem outros tipos de terapia a Terapia Analítica, Terapia Cognitiva Comportamental o psicólogo é muito mais participativo. Eu vivo junto com o paciente as transformações de cada um, dou exercícios para  fazer em casa e acompanho de perto cada passo.
O que a pessoa precisa para vencer o auto boicote  é um novo modo de lidar consigo mesmo e com o mundo.
Por exemplo, o caso da garota que se reprime e não vai fazer academia, por mais que ela queira fazer sua ginástica, emagrecer, ficar com o corpo bonito  pensa que se for para a tal academia as pessoas vão olhar pras suas roupas, acredita que vão cochichar entre elas e dizer que ela está ridícula, crê que vão rir dela, e no fim acha que não vai conseguir fazer nenhum amigo porque todos já estarão enturmados, e se sente um peixe fora d’água, se auto boicota e não se matricula na academia.
E você?  Está repetindo algum ciclo vicioso? Isso é auto sabotagem. Você quer e precisa fazer academia (curso, ir ao teatro, jogar futebol, fazer amigos, paquerar, etc), mas não faz? Porque sua cabeça está ocupada demais preocupada com o que vão pensar de você. O auto boicote fica mais importante do que cuidar de si mesmo. É justo? Não. Absolutamente não.

Porque as pessoas se auto sabotam tanto?
Talvez elas tenham vivido uma infância inteira se sentindo inadequadas. Talvez tenha havido pessoas fazendo-as se sentirem sem direitos, sem direito de se expressar, ninguém nunca às viu como pessoas interessantes. E é assim que elas se sentem. As mosquinhas do cavalo do bandido.
Por conta desse sentimento de auto boicote que recebo muito paciente me contando, por exemplo, de marido agressivo. Ela passa uma vida toda, semana após semana sendo agredida pelo marido. Mulheres que tem toda condição financeira de manter-se sozinhas, mas não tem condição emocional para ficarem sozinhas, então vivem com o inimigo num processo de total auto sabotagem. Porque ela repete isso? Com certeza teve em sua vida alguém significativo que a ensinou a aguentar agressões, a suportar quieta essa pessoa a fez acreditar que ela não é ninguém, que ela só vai conseguir uma migalha de amor, e pra conseguir essa migalha de amor precisa suportar o que quer que seja. Então ela passa a vida suportando agressões, e até procura, inconscientemente claro, pessoas que a agridam, para manter o esquema de auto boicote. Tudo só porque ela acreditou que essa seria a única forma de receber um mínimo de amor.

Como funciona a terapia nos casos de auto sabotagem?
Perceba que nada disso precisa continuar. Você pode mudar esses esquemas e acabar com auto sabotagem. A Terapia ensina estratégias pra que você supere. Existe até lição de casa pra você praticar um novo modo de funcionar.
As pessoas se auto boicotam porque existe uma compulsão a repetição. Internamente essa repetição é a única forma de viver razoavelmente bem. É por isso que ela precisa do olhar de um profissional treinado. Alguém que veja sua estória com clareza.
As pessoas resistem em fazer terapia porque acreditam que não há chance de sair dessa. Creem não haver esperança pra esse sofrimento. Mas há. Não se tratar é ser covarde pra encarar a mudança.
Pense bem, se você tem a oportunidade pra fazer mudanças na sua vida, por que arruma desculpas? Diz coisas como: não tenho tempo, não tenho dinheiro,  mas dali a pouco está comprando o ultimo modelo de celular, está comprando mais roupas do que  cabe no guarda roupa, está  gastando com restaurantes, mas pra se cuidar não tem dinheiro. Pra mudar seus padrões de pensamento e comportamento que estão destruindo sua vida não disponibiliza nenhum recurso. Você está sendo justo consigo mesmo?
Para entender como a repetição de comportamentos, ou seja a auto sabotagem, começa vamos lembrar daquela menina que usava os sapatos da mãe quando cresce é claro que vai ter o mesmo estilo de se vestir da mãe. O garoto que passou todas as férias da sua infância indo para praia. Quando cresce vai levar sua nova família para a mesma praia (para o desespero desta família). Essa pessoa não tem espaço para  mudanças, e nem para imaginação.

Porque as pessoas repetem e repetem as mesmas coisas?
Porque elas aprenderam que essa era a coisa certa a fazer. Talvez sua família tenha zombado das pessoas que faziam as coisas de forma diferente, e assim como criança aprende que só há uma forma de fazer as coisas, que será da forma que sua família fazia. Os pais são alcoólatras e a casa é uma bagunça, então a criança entende que é assim que as casas devem ser.
Só quando a criança cresce e observa outros estilos de vida é que pode perceber que o estilo da sua casa não é o único nem o melhor. Mas mesmo assim muitos não mudam. Por quê? Por que a família já ensinou que ele só vai receber amor e atenção se continuar a repetir o padrão de sua família. É como se dissessem “só vou gostar de você se você for igual a mim”. Mesmo que não digam em palavras. A tragédia acontece quando a pessoa topa e passa a repetir o que os pais faziam, sempre tentando alcançar o amor e a aceitação.
Muitas vezes as pessoas vêm para terapia porque estão com dificuldades em seus casamentos, dificuldades no trabalho, dificuldades em relacionamentos sociais, e nem percebem qual foi o inicio disso tudo. O que acontece é uma imensa confusão interior.
Essas são aquelas pessoas que casam com alcoólatras depois de terem sofrido anos com pais alcoólatras. Não entendem como entram em uma fria atrás da outra, não entendem como continuam a comprar o que não precisam e não podem pagar. Tudo isso tem o nome de auto sabotagem, e você só sai dessa quando entender a sua dinâmica interna e aceitar a possibilidade de mudança.
Quer ajuda neste processo? Conte com seu psicólogo.

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PSICOTERAPIA JUNGUIANA
A Psicologia Junguiana, ou Psicologia Analítica, como também é conhecida, é uma teoria complexa e fascinante, que abrange uma série extraordinariamente extensa de comportamentos e pensamentos humanos.
Jung desenvolveu algumas técnicas de psicoterapia que buscam estabelecer uma comunicação com o inconsciente, tais como; análise de sonhos, imaginação ativa, caixa de areia, expressão em desenho, entre outras, mas enfatizou que a terapia é um esforço conjunto do analista e do analisando, trabalhando juntos como iguais.

"Ocorre um fato notável na psicoterapia: você não pode decorar nenhuma receita e aplica-la mais ou menos adequadamente, mas só é capaz de curar a partir de um ponto central; este consiste em compreender o paciente como um todo psicológico e chegar a ele como um ser humano..."

Jung, C.G.


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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014


Menopausa emocional


Muito se fala das consequências físicas da menopausa, porém ela também mexe com a parte emocional.

Quais mudanças que ocorrem na parte psicológica e por quê?
O ser humano é concebido biopsicossocialmente, de forma que não dá para desvincular o corpo da mente. Ocorre que, por conta das mudanças físicas, advindas do climatério, a parte psicológica da mulher acaba sendo afetada.
O envelhecimento é um processo natural no ciclo vital, porém cada mulher o enfrenta de maneira diferente. Isso vai depender das características intrapsíquicas, como também do contexto sócio cultural em que ela está inserida, dentre outros.
Mulheres em condições psíquicas adequadas (ambiente familiar favorável, boa dosagem de autoestima), quando atingem esse estágio da vida, estão mais aptas a enfrentar de maneira satisfatória as consequências do climatério, mantendo o equilíbrio, a sensatez, entendendo esse momento como uma etapa natural e inerente à sua condição feminina. Entretanto, outras mulheres, mais fragilizadas por aspectos da personalidade, com tendência ansiosa, que se encontre em situações de estresse físico ou emocional, ou que são extremamente vaidosas e preocupadas com a sua aparência, podem encontrar dificuldades para lidar com os efeitos dessa fase. E dependendo do grau de dificuldade que elas encontrarem, pode acarretar-lhes um intenso sofrimento, que as torna vulneráveis a certas patologias.
Cabe lembrar também a respeito do padrão de beleza que é imposta às mulheres, pela sociedade e pela mídia, valorizando tanto a juventude. Quando a mulher se apega a isso, ao chegam à menopausa, constatando as mudanças de seu corpo, que já não corresponde a esse padrão, sofre consequências psicológicas quanto ao enfrentamento da velhice, fazendo com que a questão da finitude se apresente mais intensamente. Por isso, é possível compreender o porquê muitas mulheres com idades mais avançadas utilizam roupas e têm atitudes de adolescentes. Seria uma tentativa de driblar o tempo que, de mansinho, vai passando e deixando suas marcas? É possível.
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Esta fase pode trazer muita angustia para a mulher, causadas até mesmo pela perda da libido e o fim da fertilidade. Como reverter estes problemas emocionais?
A menopausa é o último período menstrual do ciclo reprodutivo da mulher, caracterizado por não mais procriar.
O acontecimento dessa fase caracteriza-se por uma sintomatologia que, embora passageira, chega desestabilizando o organismo feminino. Ocorre a queda hormonal, taquicardia, ansiedade, fadiga, ondas de calor, sinal de rubor, irritabilidade, perda de autoestima, distúrbio no ritmo sono-vigília, diminuição da libido, secura vaginal, ganho de peso localizado, depressão etc.
Esse fenômeno biopsicossocial, gerado nesse ciclo da vida, pode explicar os problemas emocionais vividos pela mulher. Tem também a questão da finitude que vai se aproximando, trazendo angustia.
Ocorre também à síndrome do ninho vazio, com a saída dos filhos de casa, para estudarem, ou para se casarem; às vezes, o relacionamento do casal apresenta um desgaste..., tudo isso somado intensifica os conflitos.
Estudos mostram que mulheres ocidentais que se encontram na fase da menopausa se queixam da diferença que há entre as sociedades ocidental e oriental. Pois esta expressa o valor que têm homens e mulheres idosos, na contribuição para a formação dos mais jovens. Onde é considerada e valorizada a sabedoria do idoso.
Isso é muito importante, uma vez que ajuda a manter o senso de pertencer e de contribuir para os que estão começando a trajetória da vida.
Por outro lado, o referido estudo mostra que a sociedade brasileira apresenta valores característicos da pós-modernidade, descartando objetos, pessoas e relações com certo menosprezo pelo valor da vida. Com isso, a velhice tem sido vista de forma pejorativa.
A psicoterapia ajuda e muito a mulher na passagem desse momento mais conflitante e de extrema vulnerabilidade. Portanto, é importante que a mulher, nessa fase, procure um profissional tanto na área médica como na psicológica, os quais poderão dar o suporte necessário à superação das respectivas dificuldades. Muito se fala das consequências físicas da menopausa, porém ela também mexe com a parte emocional.
- Quais mudanças ocorrem na parte psicológica e por que?
R: O ser humano é concebido biopsicossocialmente, de forma que não dá para desvincular o corpo da mente. Ocorre que, por conta das mudanças físicas, advindas do climatério, a parte psicológica da mulher acaba sendo afetada. O envelhecimento é um processo natural no ciclo vital, porém cada mulher o enfrenta de maneira diferente. Isso vai depender das características intrapsíquicas, como também do contexto sócio cultural em que ela está inserida, dentre outros. Mulheres em condições psíquicas adequadas (ambiente familiar favorável, boa dosagem de autoestima), quando atingem esse estágio da vida, estão mais aptas a enfrentar de maneira satisfatória as consequências do climatério, mantendo o equilíbrio, a sensatez, entendendo esse momento como uma etapa natural e inerente à sua condição feminina. Entretanto, outras mulheres, mais fragilizadas por aspectos da personalidade, com tendência ansiosa, que se encontre em situações de estresse físico ou emocional, ou que são extremamente vaidosas e preocupadas com a sua aparência, podem encontrar dificuldades para lidar com os efeitos dessa fase. E dependendo do grau de dificuldade que elas encontrarem, pode acarretar-lhes um intenso sofrimento, que as torna vulneráveis a certas patologias. Cabe lembrar também a respeito do padrão de beleza que é imposta às mulheres, pela sociedade e pela mídia, valorizando tanto a juventude. Quando a mulher se apega a isso, ao chegam à menopausa, constatando as mudanças de seu corpo, que já não corresponde a esse padrão, sofre consequências psicológicas quanto ao enfrentamento da velhice, fazendo com que a questão da finitude se apresente mais intensamente. Por isso, é possível compreender o porquê muitas mulheres com idades mais avançadas utilizam roupas e têm atitudes de adolescentes. Seria uma tentativa de driblar o tempo que, de mansinho, vai passando e deixando suas marcas? É possível.
-  Esta fase pode trazer muita angustia para a mulher, causadas até mesmo pela perda da libido e o fim da fertilidade. Como reverter estes problemas emocionais?

R A menopausa é o último período menstrual do ciclo reprodutivo da mulher, caracterizado por não mais procriar. O acontecimento dessa fase caracteriza-se por uma sintomatologia que, embora passageira, chega desestabilizando o organismo feminino. Ocorre a queda hormonal, taquicardia, ansiedade, fadiga, ondas de calor, sinal de rubor, irritabilidade, perda de autoestima, distúrbio no ritmo sono-vigília, diminuição da libido, secura vaginal, ganho de peso localizado, depressão etc. Esse fenômeno biopsicossocial, gerado nesse ciclo da vida, pode explicar os problemas emocionais vividos pela mulher. Tem também a questão da finitude que vai se aproximando, trazendo angustia. Ocorre também a síndrome do ninho vazio, com a saída dos filhos de casa, para estudarem, ou para se casarem; às vezes, o relacionamento do casal apresenta um desgaste..., tudo isso somado intensifica os conflitos. Estudos mostram que mulheres ocidentais que se encontram na fase da menopausa se queixam da diferença que há entre as sociedades ocidental e oriental. Pois esta expressa o valor que têm homens e mulheres idosos, na contribuição para a formação dos mais jovens. Onde é considerada e valorizada a sabedoria do idoso. Isso é muito importante, uma vez que ajuda a manter o senso de pertencer e de contribuir para os que estão começando a trajetória da vida. Por outro lado, o referido estudo mostra que a sociedade brasileira apresenta valores característicos da pós-modernidade, descartando objetos, pessoas e relações com certo menosprezo pelo valor da vida. Com isso, a velhice tem sido vista de forma pejorativa. A psicoterapia ajuda e muito a mulher na passagem desse momento mais conflitante e de extrema vulnerabilidade. Portanto, é importante que a mulher, nessa fase, procure um profissional tanto na área médica como na psicológica, os quais poderão dar o suporte necessário à superação das respectivas dificuldades.
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